Como usar o Stop de forma adequada? Na tela, ou na mão?

Um dos problemas mais comuns do trader que ainda está em busca da consistência em resultados é o chamado “stop-loss”. Enquanto para os iniciantes e inconsistentes esse termo tem um sentido de derrota e fracasso, para os mais experientes de mercado e os verdadeiros vencedores consistentes. Esse é um termo que traz segurança e conforto, já que é ele a maior proteção do trader em um mercado cheio de incertezas.

Em um outro artigo falei sobre o processo decisório no day-trade e o que devemos observar no mercado. No artigo falei um pouco sobre a importância da capacidade do trader em tomar decisões objetivas e acertadas na hora de entrar em uma operação. Tão importante quanto saber a hora de entrar é saber a hora de sair e mais especificamente, a hora de sair quando o mercado não reage da forma esperada. Afinal o que fazer? Deixo um stop na tela ou não? E como defino onde colocar esse stop? Essas são algumas das perguntas mais comuns e que vou responder nesse artigo.

Saber definir um ponto ideal onde uma operação já não vale mais a pena é algo extremamente subjetivo. Não existe uma regra matemática, mas existem algumas variáveis que devemos sempre observar, como por exemplo, pay-off ou risco-retorno e circunstância.

Risco-retorno, porque é tão importante?

O conceito de risco retorno nada mais é que a relação entre o risco assumido em uma operação e o retorno esperado pela mesma, devendo essa relação ser sempre de no mínimo 1 pra 1. Um exemplo de um bom risco/retorno seria uma operação em que o trader objetiva um alvo de 3 pontos, e que o ideal seria ter o stop de 1 ponto. Repare que eu disse, “o ideal”, isso porque ainda temos que levar em consideração a variável “circunstância” que vamos falar mais para frente. O que tem que ser observado sempre pelo trader é que quando mantemos um risco retorno positivo, mesmo que sua assertividade seja ruim, o seu resultado no longo prazo será positivo. Vamos fazer uma conta rápida, considerando um trader que em um período de 100 trades ele apresenta uma assertividade de 35%, e gerencia suas operações sempre respeitando um risco retorno de 3 pontos para 1 ponto (3:1), vejamos o seu resultado final:

Trades vencedores = 35 x 3 = 105 pts
Trades perdedores = 65 x -1 = -65 pts
Resultado final após 100 trades = 40 pts

Se ainda levarmos em conta custos operacionais, vejamos qual seria seu resultado liquido se considerarmos um custo médio por operação de 1 real (custo médio levando em conta preços praticados no mercado, podendo variar de acordo com seus custos de corretagem), operando 1 lote de contratos do mini dólar:

Total de trades = 100 x1 = 100 reais.
Resultado financeiro bruto após 100 trades = 40 x 10 = 400 reais.
Resultado liquido após 100 trades = 400 – 100 = 300 reais.

Como podemos observar mesmo tendo uma assertividade extremamente baixa, um trader que matem o fator de risco retorno favorável, consegue se manter positivo no longo prazo, um trader que desconsidera essa variável está fadado a inconsistência, pois, basta uma pequena sequência de trades perdedores para lhe tomar todos os seus ganhos ou até mesmo lhe deixar negativo.

A Circunstância. É aí que começam os problemas.

Assim como para entrar em uma operação o contexto do mercado é extremamente importante, para saber onde sair ou onde já não faz mais sentido estar em uma operação também é, e é justamente quando colocamos a variável circunstância na equação, que a maioria dos traders se enrolam com o gerenciamento do stop. Por se tratar de uma análise subjetiva, ela se torna algo difícil para o iniciante e é só com a prática que se adquire essa capacidade.

A verdade é que, diferentemente do que a maioria imagina, a análise do ponto de stop deve ser considerada muito antes de entrar em uma operação. Muitos definem seu stop baseado em sua entrada, mas o trader vencedor define sua entrada baseada em seu stop, mas o que isso quer dizer? É muito simples, o trader vencedor não apenas aplica estratégias vencedoras, ele aprende a identificar oportunidades onde além das probabilidades, o risco retorno esteja a seu favor.

Vejamos um exemplo, digamos que o mercado esteja trabalhando em uma faixa de preço, o que chamamos de “canal” ou “caixote”, do 3282.00 ao 3286.00, ao identifica esse padrão tomo a decisão de comprar a base dessa faixa de preço com o alvo no topo da faixa, independente de qual preço abro minha posição, meu stop será na mesma região, afinal, minha motivação é o forte suporte formado no 3282.00, e o rompimento desse suporte descaracteriza minha motivação, sendo assim, considerando que meu alvo máximo nessa operação seria o 3286.00, para manter um risco retorno viável só posso aceitar pagar no máximo o 3283.00, afinal, até ai consigo manter um risco retorno dentro de um parâmetro favorável, algo como 3:2, já que um stop estaria logo abaixo do 3282.00.

OK, mas deixo na tela, ou na mão?

Esse tema é um pouco polêmico, o que é preciso ser entendido é que proteção nunca é demais. Como já disse, trabalhamos em um mercado cheio de incertezas, a qualquer momento algo pode acontecer fora do esperado comprometendo nossa operação.

Eu particularmente costumo “stopar” meus trades na mão, mas sempre deixo um stop de segurança na tela, como uma forma de garantia caso o mercado entre em colapso (ou decole), e minha reação não seja rápida o suficiente. Com esse tipo de stop, garanto que apesar de ter uma perda maior que o esperado, ainda sim, estarei vivo para o próximo trade. Esse stop de proteção, pode ser um stop de financeiro diário, ou simplesmente um limite que você estipula para aquela operação, a motivação de onde colocá-lo pode variar, mas é importante que ele exista em toda operação.

Digamos que existe o stop operacional, onde você “stopa” quando aquela motivação do trade já não existe mais, e existe o stop de proteção, esse é aquele que garante que em um movimento brusco e inesperado do mercado a sua perda ainda sim estará controlada.

O stop de segurança automático, estipulado pelo gerenciamento de risco diário através do lockout, é um dos grandes benefícios de operar em uma mesa proprietário, uma vez que temos a confiança e a certeza que aconteça o que acontecer estaremos vivos para o dia seguinte de mercado.

O que você precisa sempre lembrar…

No trade, o que importa são os resultados no longo prazo, por isso, não é uma questão de acertar sempre, e sim de saber gerenciar suas operações, seja as vencedoras ou as perdedoras. Tenha sempre um stop de segurança, você não quer ser pego de surpresa. Lembre-se sempre que, antes de abrir uma operação, você deve avaliar se aquela é uma boa oportunidade, se não for, por que fazer, certo? Aquela não foi a primeira e com certeza não será a última oportunidade que o mercado vai te dar, e saber filtrar as boas oportunidades vão lhe poupar muitos “stop” desnecessários.

Espero que esse artigo te ajude. O stop é o melhor amigo do trader, ele garante a segurança do nosso patrimônio, é nossa linha de defesa no dia a dia, use bem e com certeza os bons resultados virão.

Sanzio Cunha

About Sanzio Cunha

Administrador com especialização em gestão de empresas. Trader de Futuros e Bovespa, é gestor da WM Manhattan e carrega consigo mais de dez anos de experiência com comércio exterior em mercados como China, Estados Unidos e França.

3 Comments

Leave a Reply