Como investir na bolsa de valores?

Quando se fala em bolsa de valores com o brasileiro comum, seja na fila da padaria, ou num almoço de família, é comum escutar a típica frase – “isso é muito arriscado”. Normalmente, associa-se à bolsa um excessivo nível de risco ou a possibilidade de ficar milionário em um espaço curto de tempo. O senso comum normalmente traz à tona o imaginário do “Lobo de Wall Street”. Uma vida regada a muita farra, carros luxuosos, iates e tudo mais que o dinheiro pode proporcionar. Por outro lado, todo mundo tem um tio ou um conhecido que já perdeu tudo o que tinha na bolsa. Mas, afinal, o que é a bolsa de valores? Por que investir na bolsa? O risco é tão alto assim? Posso ficar rico investindo na bolsa? Como faço para começar a investir?

Em termos gerais, o brasileiro é um povo gastador. Em pesquisa recente realizada pela Anbima (Associação Brasileira das dos Mercados Financeiro e de Capitais), apenas 51% dos entrevistados manifesta vontade de poupar parte do que recebe como salário. Desses, 40% pretendem utilizar o dinheiro poupado para gastar com imóveis ou carros. As justificativas para não poupar são várias. O fato, no entanto é que 56% da população economicamente ativa não faz nenhum tipo de investimento em produtos financeiros. No Brasil, a poupança corresponde a 11% do PIB, enquanto na Bolívia, chega-se a 25% do PIB.

O que é a bolsa de valores?

A bolsa de valores é um ambiente online onde investidores podem transacionar diversos ativos financeiros, dentre eles, o mais comum para a maior parte da população – as ações. A fim de financiar suas atividades ou projetos de expansão, empresas decidem abrir seu capital para o mercado, vendendo um percentual de suas ações. Essas ações representam uma parcela da empresa e são negociadas em bolsa de valores. No caso do Brasil, temos a B3, onde consegue-se negociar ações de grandes empresas como Vale, Itaú, Petrobrás, entre outras.

Por que investir na bolsa?

As ações negociadas em bolsa de valores se valorizam ou desvalorizam em função da oferta e demanda. Se há mais pessoas dispostas a comprar uma determinada ação, ela tende a se valorizar. Por outro lado, quando muitas pessoas querem vender uma ação, seu valor tende a cair. Sendo assim, é possível ter retornos financeiros significativos comprando ou vendendo ações. Além disso, as empresas dividem parte de seus lucros com os acionistas, pagando dividendos. Dessa forma, se eu compro 100 ações da Petrobrás a R$20,00 e vendo essas mesmas 100 ações alguns dias depois por R$26,00 eu embolsaria essa diferença. Investidores compram ou vendem ações e outros ativos financeiros por vários motivos, mas o principal objetivo é rentabilizar o capital investido.

O risco é tão alto assim? Posso ficar rico investindo na bolsa?

Quando se trata de mercado financeiro, bolsa de valores não é a única alternativa. Há inúmeras formas de se investir, como, por exemplo, os ativos de renda fixa (CDB, LCI, LCA, títulos públicos). Aplicações em renda fixa têm um rico menor porque já se sabe no momento da aplicação qual será a taxa de retorno do investimento. Já a compra e venda de ações está no campo dos ativos de renda variável. Isso porque quando eu compro ações de uma empresa, eu não tenho como garantir que ela se valorizará ou se ela valorizar, quanto será o meu ganho. Essa incerteza em relação ao retorno do meu investimento é o que chamamos de risco. No mercado financeiro, o risco e retorno devem ser calculados e ajustados a todo o momento. Se eu pretendo investir em um ativo financeiro que tem risco, eu devo esperar que ele me dê retornos acima do que eu teria se investisse em um ativo livre de risco – custo de oportunidade. A fim de ilustrar os riscos de perder dinheiro ou a possibilidade de obter bons retornos, analisaremos duas situações hipotéticas:

Digamos que um investidor aplicou R$1.000,00 em ações da Usiminas em 17/02/2016, quando as ações estavam valendo R$0,96. Ontem (25/07/2018), as ações da Usiminas fecharam cotadas a R$9,20. Caso esse investidor tenha segurado seu investimento, ele teria obtido um lucro nessa operação de aproximadamente R$8.000,00 (desconsiderando custos operacionais e IR).

Por outro lado, imaginemos que um investidor aplicou os mesmos R$1.000,00 em ações da OGX em 31/03/2016, ocasião em que essas ações valiam R$18,57. Caso esse investidor tenha saído dessa operação em 29/06/2016, quando essas ações estavam sendo negociadas a R$3,50, esse investidor teria menos R$200,00 em sua conta.
A partir dos exemplos acima, é possível dimensionar o quanto podemos ganhar ou perder ao investir em ações.

Como faço para começar a investir?

O avanço da tecnologia fez com que o mercado financeiro ficasse acessível para um número maior de pessoas. Munido de um smartphone com acesso a internet é possível comprar ou vender ações a partir de qualquer lugar do mundo.

O primeiro passo para começar a investir é criar uma conta em alguma corretora. O processo atualmente é bem simples, e, na maioria dos casos, 100% online. Com a conta aberta, basta transferir seus recursos de uma conta bancária para sua conta na corretora, via DOC ou TED. Uma vez que o dinheiro esteja disponível na conta da corretora, você estará apto a transacionar os mais diversos produtos financeiros.

Antes de sair por aí comprando e vendendo ações ou outros produtos financeiros, sugiro que o leitor tenha em mente três aspectos importantíssimos:

  • Conhecimento
  • Estratégia
  • Disciplina

A fim de não entrar pra estatística das pessoas que perdem dinheiro na bolsa de valores, busque conhecimento especializado. Aprenda a usar a plataforma de operações disponibilizada pela corretora, se informe sobre a(s) empresa(s) que pretende investir e, principalmente, estude formas de avaliar as ações das empresas que você pretende adquirir (seja através de análise fundamentalista, análise gráfica ou de fluxo de ordens). A ganância, a pressa e a falta de conhecimento podem gerar resultados catastróficos para o seu bolso.

Antes de alocar seu capital em algum ativo financeiro, defina qual parcela do seu capital ficará em ativos livre de risco e qual a parcela você destinará para renda variável. Da parcela destinada a ativos de risco, defina quanto você pretende colocar em ações visando o longo prazo e quanto você utilizará para operações mais curtas. Corra dos chamados “micos” (ações com baixa liquidez, geralmente de empresas desconhecidas, com pouca geração de caixa ou sem ativos registrados em seus balanços). Procure investir seu capital em empresas sólidas, com geração de capital robusta e que tenha liquidez, para que você consiga entrar ou sair sem dificuldades. Defina uma estratégia e execute fielmente o que você se propôs a fazer, respeitando alvos de ganho e limites de perdas.

Por fim, um conselho: até que você tenha confiança no seu conhecimento, compreenda conceitos de análise fundamentalista, análise gráfica e fluxo de ordens, evite arriscar seu capital na bolsa de valores. Não seja fisgado por promessas de ganhos rápidos e, se decidir seguir recomendação de alguma casa de análise ou analista, procure conhecer bem a instituição ou o profissional. Até que você tenha confiança no seu operacional, invista em ações através de fundos de investimento. São profissionais certificados que estarão a todo momento trabalhando para rentabilizar seu capital da forma mais eficiente possível.

Lembre-se que rentabilizar seu capital e montar um patrimônio é uma maratona e não uma corrida de 100 metros.

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

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