Eventualmente recebo uma ligação de algum amigo ou parente com aquela pergunta: “Vou viajar e preciso comprar dólar. Devo comprar agora ou esperar?”

Antes de responder a esta pergunta, é preciso entender quais as maiores motivações. Sejam elas externas, ou internas, que influenciam a cotação da moeda.

Fatores externos: Aumento da taxa de juros americana e tensões externas

Vemos uma tendência mundial de apreciação da moeda americana com os recentes aumentos da taxa de juros do Banco Central americano, ao patamar de 1,75% a 2%. Com a crise de 2008, os juros americanos chegaram a um patamar muito próximo de zero para estimular a economia. Entretanto, com o aquecimento econômico, temos visto uma elevação da taxa de juros para conter a inflação. Com isso observamos aumento do consumo.

Por que isso é importante? Com o aumento dos juros, o investimento no tesouro americano fica cada vez mais atrativo para investidores do mundo todo. Este movimento favorece a cotação do dólar frente à outras moedas.

Este movimento se amplifica ainda mais com as tensões comerciais entre EUA e China e a recente crise cambial na Turquia. Esses fatores aumentam a aversão ao risco. Fazem com que os investidores retirem capital investido em economias emergentes, como a nossa, e busquem estabilidade nos EUA, optando por maior segurança em vez de maior rentabilidade.

Fatores internos: Incerteza política e redução da Selic

Internamente, tivemos uma recente queda da taxa básica de juros, a Selic, para o patamar de 6,5%. Essa taxa é um importante balizador para a rentabilidade de alguns investimentos no país. Com a redução dos juros por aqui e aumento nos juros nos EUA, diminui cada vez mais o diferencial de juros entre os dois países. Isso torna o investimento por aqui menos atrativo, especialmente com a instabilidade política e as incertas eleições presidenciais chegando.

Outro fator de grande peso é o compromisso com as contas públicas. Ele é importante para garantir o cumprimento da meta fiscal e a manutenção da dívida pública em um patamar sustentável. Isso está diretamente ligado às próximas eleições, sobre a qual paira a incerteza do próximo presidente da república e se ele vai manter esse compromisso.

Em junho, foi divulgada uma pesquisa realizada pela XP Investimentos com 204 investidores institucionais com projeções para o cenário eleitoral e os efeitos de cada candidato eleito na economia. Dentre os entrevistados, 48% acreditam na vitória do candidato Jair Bolsonaro. Em seguida, Geraldo Alckmin com 31%.Ciro Gomes, conta com 13% das apostas e Marina Silva, com 5%.

Caso Jair Bolsonaro seja eleito, aproximadamente metade dos investidores acredita em leve desvalorização da moeda americana em relação ao patamar atual. Enquanto pouco mais de 10% acreditam em um real muito desvalorizado, superando a barreira dos R$ 4,00.

Para os investidores, Geraldo Alckmin é a opção mais segura para a moeda brasileira. Enquanto Ciro Gomes e Fernando Haddad apresentam os maiores riscos para nossa economia.

variação do dólar com as eleições

Mas é pra comprar ou pra vender?

Independentemente do resultado das próximas eleições, é importante definir seu objetivo antes de comprar ou vender a moeda estrangeira. Caso precise fazer um estoque para viajar, a compra pode ser feita em frações. Isso vai garantir um bom preço médio, já que ultimamente temos tido grande volatilidade e a cotação do dólar tem variado bastante dia após dia.

Caso o objetivo seja pura especulação, acredito que existam outros ativos mais seguros, principalmente se você está começando no mercado financeiro. Caso já tenha experiência, só recomendo entrar em uma operação com muito estudo e disciplina.

Existe uma máxima de que o dólar é o ativo que deixa os economistas mais humildes. Ou seja, são muitas variáveis para precificá-lo. Caso queira se aprofundar nestas variáveis, recomendo a leitura deste artigo: 6 coisas que você deve saber para investir em dólar.

Pedro S. Pinto

About Pedro S. Pinto

Graduado em Engenharia de Alimentos pela USP. Estudante e investidor do mercado de capitais desde 2016 e operador de futuros pela WM Educacional desde 2017.

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