O governo Trump

A eleição do Presidente Donald Trump, em novembro de 2016, contrariou boa parte das projeções de analistas políticos. Além de pegar de surpresa o mercado financeiro. Por isso, as bolsas de todo o mundo reagiram mal no dia seguinte após as eleições.

Críticas ao seu comportamento explosivo e às declarações polêmicas em entrevistas e redes sociais foram a tônica nos dias após as eleições nos EUA.

Com quase meio mandato à frente da Casa Branca, no entanto, Trump ostenta números impressionantes. Como: o PIB dos EUA supera os 4% enquanto o desemprego está em 3,9%. Já a economia americana ganha tração, inflação controlada na faixa de 2% e dados de criação de empregos superando expectativas. Como resultado desse cenário promissor, o índice S&P 500 consolida próximo às máximas históricas.

Dentre os pontos positivos de sua administração, pode-se citar a aprovação de um imenso pacote de redução de impostos que contribuiu de forma significativa para o bom humor do mercado financeiro. Além disso, Trump reduziu taxas para que empresas americanas repatriassem recursos de suas filiais no exterior.

A Guerra Comercial

Avanços na economia costumam trazer popularidade para políticos. Com Trump, essa dinâmica está sendo um pouco diferente. Em estudo da Bloomberg, o atual presidente aparece com níveis bem altos de impopularidade dado o patamar otimista com relação à economia.

Um dos fatores que podem justificar essa baixa popularidade é a forma como a política externa vem sendo conduzida. Em apenas 2 anos de mandato, Trump se envolveu em polêmicas com seus principais parceiros comerciais – Europa, Canadá, México e China.

O principal alvo americano tem sido o projeto “Made in China 2025”. O projeto do governo chinês é se tornar a maior potência tecnológica até 2025. Dentre as medidas para minar o projeto, Trump tem limitado o investimento chinês em empresas de tecnologia americanas, além de iniciar uma guerra comercial através da imposição de tarifas sobre praticamente todos os produtos chineses importados pelos EUA.

Diante da postura americana, a China retaliou, aplicando tarifas na mesma proporção. Não bastasse, o governo chinês já abriu conversas com a OMC a fim de impor sanções aos EUA. No momento, existem US$80 bilhões de produtos sob tarifas impostas entre os dois países em função da guerra comercial.

O mercado internacional monitora a guerra comercial envolvendo EUA e China de perto, afinal, tensões envolvendo as duas principais economias do mundo podem afetar a percepção de crescimento do PIB global.

O curioso é que a bolsa americana não parece estar sofrendo com a crise instaurada. O índice MSCI dos EUA acumula alta de 8,73% desde maio. Pra se ter uma ideia, o índice MSCI global (sem os EUA) cai 5,42% no mesmo período.

É importante ressaltar que o comércio bilateral entre as duas maiores economias do mundo não é tão representativo

Os impactos da Guerra Comercial

Os impactos da guerra comercial podem repercutir de forma mais significativa sobre os mercados emergentes. Sobre essa classe de ativos, outro fator tem pesado bastante. A retomada da economia americana permitiu que o FED elevasse suas taxas de juros, atraindo capital estrangeiro em busca de segurança.

Com esse fluxo de recursos para os EUA, Argentina e Turquia enfrentaram forte desvalorização de suas moedas. No caso Argentino, a saída foi negociar um acordo com o FMI e elevar juros para 60%. Já a Turquia, relutante em buscar auxílio externo, elevou nesta quinta-feira sua taxa básica de juro no intuito de conter a evasão de recursos. Entretanto, na semana passada, a diretora-gerente do FMI Christine Lagarde alertou sobre o risco de contágio das crises argentina e turca sobre os demais emergentes.

Como fica o Brasil?

O Brasil é um dos principais impactados pela atual conjuntura. China e Argentina, protagonistas nas tensões externas são parceiros comerciais importantes. Com isso, uma redução da demanda desses países refletirá nas exportações brasileiras. Pra piorar, o cenário eleitoral incerto colabora para o aumento do risco país na medida em que Alckmin, Ciro, Haddad e Marina se encontram em empate técnico na disputa por uma vaga no 2º turno.

Com a inflação controlada e taxa de juros na mínima histórica vem um certo alívio para o investidor externo. Além disso, o Brasil mantém reservas internacionais robustas, acima de US$300 bilhões.

O principal fator de risco reside nas contas públicas. Organismos internacionais e agências classificadoras de risco têm chamado atenção para a fragilidade da situação fiscal do país. E também para a necessidade de reformas estruturais. O próximo presidente eleito já iniciará seu mandato com uma bomba relógio para ser desarmada. Caberá aos eleitores decidirem qual o caminho o Brasil tomará a partir de 2019. Para então reorganizar as contas públicas de forma pacífica e planejada ou por mal, como feito pela Argentina.

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

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