As criptomoedas ganharam bastante notoriedade na grande mídia quando o Bitcoin (mais conhecida das criptomoedas) chegou a valer quase US$20.000,00 em dezembro de 2017.

Muitas pessoas que não faziam ideia do que eram criptomoedas, acreditaram que poderiam ficar milionárias da noite para o dia, acreditando que sua valorização seguiria de forma indefinida.

No entanto, menos de 1 anos após atingirem seu auge, as criptomoedas voltaram ao noticiário. Desta vez, entretanto, não por sua valorização. A indústria das criptomoedas perdeu, desde dezembro de 2017, mais de US$600 bilhões em valor de mercado. O Bitcoin, somente hoje (19 de novembro de 2018) caiu mais de 11% – menor patamar registrado neste ano. A pergunta que fica é: estaríamos presenciando o estouro de uma bolha?

Quando analisamos ações de empresas negociadas em bolsa de valores, é possível analisar seus fundamentos e, a partir deles, estimar um valor “justo”. Uma das técnicas para estimar o valor das ações de uma empresa é projetar seu fluxo de caixa futuro e descontá-lo a valor presente. No caso das criptomoedas, não é possível fazer esse tipo de análise. O preço delas, reflete somente o equilíbrio entre compradores e vendedores.

De forma simplista, podemos classificar as pessoas que compram criptoativos em três grandes grupos:

  • Os entusiastas, que acreditam que esses ativos substituirão (total ou parcialmente) o papel moeda no futuro, o que garantiria a valorização desses ativos à medida que novos participantes entrem neste mercado;
  • Os especuladores, que se utilizam das criptomoedas para tentar valorizar seu próprio capital;
  • As pessoas que usam as criptomoedas como meio de troca, seja para realizar transações na economia real, seja como reserva de valor, evitando que a inflação corroa o poder de compra do seu papel moeda.

Independentemente do motivo que leva alguém a alocar seus recursos neste mercado, a lógica sugere que, à medida que o preço desses ativos subisse, haveria uma menor quantidade de pessoas disposta a compra-los. No entanto, não foi bem isso que aconteceu. No caso específico do Bitcoin, à medida que sua cotação subia, mais pessoas se sentiam atraídas. No Brasil, chegou-se a ter mais que o dobro de pessoas cadastradas em corretoras de criptomoedas que a quantidade de CPFs ativos na B3. Ou seja, por aqui, há mais gente disposta a investir num ativo virtual do que em empresas como Vale, Itaú, Usiminas, Bradesco, Petrobrás, entre outras. Esse fato, na opinião de analistas, é um sinal claro de bolha.

Normalmente, quando paira sobre um determinado a possibilidade de ele estar esticado demais, ou de estar sendo inflada uma bolha, os participantes tendem a acreditar que “desta vez, será diferente”. Há uma relutância em aceitar os fatos, e molda-se todo um discurso para refutar a ideia de que possa estar ocorrendo algum tipo de distorção. De fato a tecnologia por trás das criptomoedas é algo extremamente inovador e nunca experimentado antes. Mas isso, por si só, evitaria uma bolha? Na crise imobiliária americana de 2008, esse fenômeno também ocorreu. Diversas pessoas se endividavam para comprar mais e mais imóveis, acreditando que a demanda se manteria estável e que os preços seguiriam em tendência de alta. Nos EUA, até há um jargão para isso: “as safe as houses”. Até que a crise estourou, e muitos ficaram insolventes.

Diante de todo esse cenário, é bem possível que haja uma bolha sendo inflada na indústria de criptomoedas. É preciso ressaltar, no entanto, que o fato de haver uma bolha não significa dizer que todo o sistema irá entrar em colapso. A tecnologia por trás das criptomoedas pode sim chegar a um ponto de concorrer ou mesmo substituir o papel moeda emitido pelos Bancos Centrais no futuro.

Qual o caminho das criptomoedas?

Entretanto, há sinais claros de que há uma distorção de preços flagrante que vem sendo corrigida pelas recentes desvalorizações desses ativos. É preciso ter em mente que há forças institucionais que ainda tentarão dificultar o progresso dos criptoativos. Essa resistência, sem dúvida, será refletida nos preços. Ademais, ainda há um enorme grau de obscuridade do ponto de vista jurídico que difere de região para região, o que dificulta sua utilização em termos globais.

Por fim, trata-se de um mercado ainda muito incipiente. A privacidade tão alardeada pelos entusiastas, ainda gera insegurança, na medida que não se sabe o grau de concentração desses criptoativos. Nesse sentido, uma pessoa que detenha uma parcela significativa de alguma criptomoeda poderá impactar sobremaneira seu preço.

Assim sendo, sugerimos que aquelas pessoas que se interessem por esse mercado, busquem conhecimento acima de tudo. É preciso compreender que se trata de uma operação que envolve riscos, e por isso, utilize somente a parcela de seu capital destinada a este tipo de operação. Seja cético com qualquer promessa de ganhos fáceis no mercado financeiro, SEMPRE!

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

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