O brasileiro é extremamente conservador quando o assunto é mercado financeiro. O número de pessoas com dinheiro alocado na poupança ou parado em conta corrente ainda é enorme. Neste artigo, trataremos da modalidade de investimento que mais atrai o investidor nacional – os títulos de renda fixa.

Títulos de renda fixa são aqueles em que o indexador que incidirá sobre o capital investido é sabido no momento da aplicação. O investimento em renda fixa pode ter duração de meses, anos e até décadas, dependendo da estratégia e dos objetivos do investidor.

A renda fixa é a categoria de investimentos mais procurada por investidores com perfil mais conservador, ou seja, que buscam maior segurança.

No Brasil, há uma forte concentração de capital nas mãos dos maiores bancos – Caixa, Banco do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco. Pelo porte dessas instituições e a vasta quantidade de agências espalhadas pelo país, eles não têm muitos incentivos de oferecer taxas atrativas quando precisam captar recursos.

Recentemente, ocorreu uma guinada nessa dinâmica. A tecnologia permitiu que as corretoras oferecessem em suas plataformas, ativos de renda fixa de bancos pequenos e médios. Essas instituições, normalmente, oferecem melhores rentabilidades se comparadas às dos grandes bancos. Com uma conta em alguma corretora, o investidor consegue ter acesso a diversos outros bancos e movimentar seu capital a partir de um computador ou mesmo de seu celular.

Quais são os mais populares ativos de renda fixa?

– CDB (Certificado de Depósito Bancário)

É emitido pelos bancos como forma de captação de recursos com o objetivo de financiar suas atividades. Funciona como um empréstimo para as instituições financeiras, e, em troca, o investidor recebe o valor aplicado corrigido com os juros.

– LCA (Letras de Crédito do Agronegócio)

Título de renda fixa emitido pelos bancos como captação direcionada ao setor do agronegócio;

– LCI (Letras de Crédito Imobiliário)

Investimento emitido pelos bancos com data de vencimento estabelecida. Os recursos captados pelo emissor são utilizados para o financiamento de negócios do setor imobiliário;

Ao investir nesses ativos, será preciso ter alguns cuidados:

Vencimento e carência

Quando o investidor decide alocar seu capital nesses ativos, ele terá informações sobre a data de vencimento do título e da carência. O vencimento diz respeito a quando aquele empréstimo será finalizado. Assim, naquela data, o dinheiro do investidor será devolvido com o acréscimo de juros pactuado. Já a carência diz respeito ao prazo a partir do qual o investidor tem o direito de sacar seu dinheiro, mesmo que antes do vencimento.

A título de exemplo, pode-se ter um CDB com vencimento em 01 de dezembro de 2021 e com carência em 02 de dezembro de 2018. Neste caso, dizemos que o título tem liquidez diária, ou seja, o investidor pode sacar seu recurso a qualquer momento. Outra situação seria se o vencimento fosse o mesmo do exemplo anterior, mas o prazo de carência indicasse a data de 01 de dezembro de 2021. Neste caso, não haveria a possibilidade de saque do dinheiro antes do vencimento do título.

Imposto de Renda

As LCI e LCA são isentas de imposto de renda. Sendo assim, quando estiver em dúvida sobre aplicar em um CDB ou numa LCI ou LCA, será necessário fazer o cálculo descontando o imposto de renda da operação. Afinal, nas plataformas você verá que as taxas oferecidas pela LCI e LCA serão sempre nominalmente menores do que as taxas oferecidas pelos CDB. Isso ocorre justamente pela diferença na tributação.

– Títulos Públicos

Papéis emitidos pelo Tesouro Nacional com o objetivo de financiar sua atividade. Na prática, o investidor está emprestando seu dinheiro para o governo, em troca da rentabilidade prometida.

O investimento em títulos públicos é uma modalidade acessível a qualquer tipo de investidor. Hoje, é possível adquirir os títulos com menos de R$50,00. É importante que se observe a data de vencimento do mesmo, pois, caso o investidor precise se desfazer dele antes do prazo estipulado, ele poderá ter prejuízo na operação.

Entre os Títulos Públicos, podemos citar alguns. São eles:

– NTN-B Principal (Nota do Tesouro Nacional – Série B)

Atualmente denominado como Tesouro IPCA, é um título pós-fixado, cuja rentabilidade é composta por uma taxa anual definida no momento da compra, acrescido da variação do IPCA, índice da inflação oficial do governo brasileiro. A data de vencimento é pré-fixada.

– NTN-B (Nota do Tesouro Nacional Série B)

Atualmente denominado como Tesouro IPCA com Juros Semestrais, é um título pós-fixado, cuja rentabilidade é atrelada à variação da inflação, acrescido de uma taxa de juros. A NTN-B paga esses juros de forma semestral.

– LTN (Letra do Tesouro Nacional)

Atualmente denominado como Tesouro pré-fixado, é um título de liquidez diária com rentabilidade pré-fixada, o que significa que não é atrelada a nenhum indicador. A data de vencimento também é pré-fixada.

– LFT (Letra Financeira do Tesouro)

Atualmente denominado como Tesouro Selic, é um título cuja rentabilidade segue a variação da taxa Selic, com data de vencimento pós-fixada e liquidez diária.

Mas por que o investimento em renda fixa é considerado tão seguro quanto a poupança?

Para garantir a segurança do capital dos investidores, existe uma entidade chamada Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC é uma instituição privada sem fins lucrativos, que garante a proteção do patrimônio dos investidores.

Valores até R$1.000.000,00 em investimentos podem ser recuperados através do FCG em caso de liquidação, intervenção ou falência da instituição financeira. Entretanto, é necessário que esses recursos estejam divididos em pelo menos 4 instituições. Afinal, a regulamentação da CVM é de que a proteção do FGC seja de até R$250.000,00 por instituição e por CPF até o valor máximo de R$1.000.000,00.

Como funciona o mercado de renda fixa?

Assim como no mercado de ações, você pode investir diretamente em títulos de renda fixa.

Os investimentos funcionam como um empréstimo do investidor ao emissor do título, que pode ser uma empresa, um banco ou o governo.

É de extrema importância, entretanto, que você pondere a respeito do seu conhecimento sobre o mercado financeiro antes de tomar alguma decisão sobre investimentos por conta própria.

Atualmente, as corretoras oferecem o acompanhamento de assessores financeiros, que estudam o perfil do investidor e avaliam a quantia que você tem disponível para investir. Assim, eles podem auxiliá-lo na seleção dos ativos que mais se encaixam no seu perfil de risco.

Sempre que tiver dúvidas sobre como investir, procure auxílio de um profissional a fim de evitar perdas desnecessárias.

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

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