Antes de pensar em começar a investir, é essencial analisar sua vida financeira atual. Para fazer o seu dinheiro render de forma eficiente, é preciso se planejar técnica, mental e financeiramente. O intuito ao poupar e investir é atingir a (tão sonhada) independência financeira. Mas afinal, o que é necessário para se ter as finanças saudáveis?

Neste texto, vamos oferecer nove dicas para quem deseja construir um planejamento financeiro eficaz. Vamos a elas.

01- Autoconhecimento

O primeiro passo para um planejamento financeiro pessoal e familiar é o diagnóstico da sua situação atual.

É necessário que se faça o levantamento de todas as receitas e todas as despesas mensais. Pode parecer chato, mas a ideia é que esse controle seja feito como o de uma empresa.

Para isso, algumas atitudes podem ser muito úteis, como guardar todos os recibos de compras numa pasta e manter esses dados em uma planilha de controle. Fazer esse monitoramento pode tomar bastante tempo. Por isso, uma dica que podemos dar é que você tire um dia por semana para atualizar todos os dados.

Após três meses é possível ter uma visão e separar gastos necessários e gastos supérfluos. À medida que o tempo passa, a sazonalidade vai sendo atenuada. Com esse diagnóstico em mãos, é possível identificar onde é possível apertar visando gerar economias para objetivos específicos.

Outro ponto importante nessa primeira etapa é verificar se você se encontra em situação de endividamento. Se for este o caso, esta será uma excelente oportunidade de traçar planos para quitar essas pendências.

02- Se prepare para despesas previsíveis

Algumas despesas, por mais que pareçam extras, podem ser previstas. Alguns exemplos são datas festivas (natal, dia dos pais, dia das crianças), ou aniversários de familiares e amigos. Como você sabe que todos os anos terá essas despesas na mesma época, é importante que economize a quantia necessária para os desembolsos ao longo dos meses. O ideal é que, quando essas datas chegarem, as despesas sejam pagas à vista.

Essa atitude fará com que você consiga bons descontos (as empresas geralmente concedem algo em torno de 10%), além de evitar surpresas que te forcem a ser socorrido pelo cartão de crédito ou pelo cheque especial. E por falar neles…

03- Fuja do cartão de crédito e do cheque especial

Essa é uma recomendação de grande importância, visto que o Brasil tem as mais altas taxas de juros do mundo para esses serviços.

Apesar da comodidade e da segurança que o cartão de crédito traz, ele também pode se tornar um vilão na sua vida financeira. É possível efetuar o pagamento de apenas 15% da fatura e parcelar os outros 85%. O problema é que, nesses 85%, incidirá uma taxa de juros de aproximadamente 233,8% ao ano. Ou seja, o que seria uma praticidade pode se tornar uma bola de neve cada vez mais difícil de ser quitada.

O cheque especial é outra armadilha da qual você deve fugir. É tentadora a ideia de poder pegar um “empréstimo” do banco num momento de emergência. Porém, os juros do cheque especial são ainda maiores do que os do cartão de crédito, chegando ao impressionante número de 324,7% ao ano.

Caso você identifique que parte de suas dívidas estão relacionadas com cartão de crédito e cheque especial, quitá-las deverá ser sua prioridade. Caso não seja possível resolver essas pendências de forma imediata, é recomendável até a contratação de empréstimos pessoais para sanar o problema. Sem dúvida, a taxa cobrada será menor que as destes instrumentos.

04- Invista o dinheiro que conseguir poupar

Investir é multiplicar suas reservas financeiras. Se você consegue poupar com qualidade, reservando seus recursos em alternativas financeiras que superem a inflação, você estará investindo.

É importante que você busque pelo melhor investimento para o valor disponível e avalie qual é o seu perfil de investidor. Uma dica é que você diversifique suas aplicações, com o objetivo de ter maior segurança e maior rentabilidade.

Não sabe por onde começar? Acesse aqui e confira as direções para investidores iniciantes.

05- Se prepare para compras grandes

A compra de bens de maior valor, como carros, viagens e eletrodomésticos, exige uma preparação mais dedicada do comprador. Se você não se prepara para os gastos maiores, será necessário um empréstimo ou parcelamentos de quantias significativas, o que acarreta em cobrança de juros.

Alguns passos importantes são a definição dos seus objetivos de consumo, a montagem de um planejamento, a fidelidade aos seus objetivos e o controle do seu desempenho.

A ideia é tentar poupar e investir o suficiente para dar a maior entrada possível e financiar somente o que você não conseguir poupar previamente.

06- Sempre que possível, saque seu FGTS

Criado para ser uma reserva para o trabalhador em caso de demissão ou aposentadoria, esse recurso pode ser usado também para ajudar com seus problemas financeiros.

O FGTS não é um capital disponível para saque a qualquer momento, porém, há algumas situações previstas por lei que permitem essa retirada, como por exemplo, a aquisição de imóvel residencial urbano.

A rentabilidade do FGTS é pífia se comparada a outros instrumentos financeiros. Por vezes, sua rentabilidade fica, inclusive, abaixo da inflação. Sendo assim, sempre que houver alguma brecha governamental permitindo o saque desses recursos, não pense duas vezes.

07- Faça um seguro de vida

Com a vida financeira mais organizada, é interessante que você considere fazer um seguro de vida. Longe de ser um item supérfluo, o seguro protege o patrimônio da família do titular em caso de morte ou invalidez.

Além disso, alguns seguros de vida são resgatáveis, permitindo ao titular o saque parcial a qualquer momento que desejar, ainda em vida. Ao final do prazo contratual, alguns garantem um prêmio estipulado em contrato.

08- Invista na sua capacitação

Já foi o tempo em que apenas uma graduação era o suficiente para ter sucesso na carreira. Atualmente, os profissionais devem buscar atualização o tempo todo. É cada vez mais importante a capacitação profissional para evoluir no mercado de trabalho.

Cursos de atualização, pós-graduação, mestrado, doutorado, especializações devem estar também no seu planejamento.

Apesar de, muitas vezes, ser necessário um gasto alto com esses cursos, o retorno deve sempre ser considerado.

A ideia por trás dessa dica é justamente que você se considere uma empresa. Alocar dinheiro em capacitação aumentará suas probabilidades de conseguir melhor remuneração. Assim, essa prática também deve ser considerada como um investimento.

09- Fique atento ao imposto de renda

As rigorosas exigências feitas pelo governo para a declaração de imposto de renda assustam muita gente. Por isso, a maioria das pessoas opta por pagar terceiros para realizar essa tarefa.

Porém, é interessante que você, pelo menos, tente fazer a sua declaração. Isso faz com que você tenha maior conhecimento da sua saúde financeira, além de, consequentemente, se tornar uma pessoa mais organizada com suas contas.

É imprescindível, entretanto, ficar extremamente atento para não haver equívocos, pois as multas são caras. Elas podem acabar se tornando um custo inesperado e comprometer todo o seu planejamento financeiro.

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

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