A Taxa SELIC sofreu uma série de cortes, saindo da casa dos 14,25% para os atuais 6,5%. Nesse cenário, como o investidor deve se posicionar  em tempos de queda de juros a fim de se aproveitar das melhores oportunidades?

O que é a Taxa Selic?

A sigla SELIC significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A SELIC é a taxa básica de juros da economia brasileira. É calculada pela taxa média ponderada dos juros impostos pelas instituições financeiras.

A SELIC é um sistema a cargo do Banco Central, que registra todas as operações de títulos do Tesouro Nacional, e é estabelecida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária).

Ela é utilizada pelo Banco Central para manter a inflação sob controle e para estimular a economia.

Atualmente, a Taxa SELIC é de 6,5% ao ano.

Como a Taxa SELIC afeta os investimentos?

Diversos investimentos em renda fixa estão atrelados à SELIC. Consequentemente, alterações na SELIC impactarão o retorno desses ativos.

Outra taxa que influencia diretamente investimentos em renda fixa é o CDI.

O que é CDI?

A sigla CDI significa Certificados de Depósito Interbancário. O CDI representa títulos emitidos por instituições financeiras para a transferência de capital entre instituições que possuem reservas e aquelas que necessitam de recursos. A taxa SELIC e o CDI variam de forma muito próxima. Os investimentos de renda fixa atrelados ao CDI são todos aqueles ligados a transações de instituições financeiras. São eles: CDB, LCI, LCA e Letras de Câmbio.

Afinal, como proceder com seus investimentos em tempos de queda de juros ?

Em 2016, a taxa SELIC chegou a valores históricos, alcançando 14,25% ao ano. Apesar da profunda crise econômica pela qual o Brasil passava, o momento foi de euforia para investidores com capital disponível para aplicações em renda fixa. Quanto mais altas as taxas SELIC e o CDI, maior a rentabilidade desses investimentos.

Porém, desde então, a economia brasileira vem, aos poucos, se recuperando, e, atualmente, o valor da taxa de juros é de 6,5% ao ano. Esse é o menor valor que a taxa já atingiu na história.

Mas, se os investimentos em renda fixa ficam menos atrativos com a queda dos juros, como investir de forma segura?

É importante que você avalie seu perfil de investidor (conservador, moderado ou agressivo), o momento que você está em sua vida profissional e financeira, e quanto capital disponível para investimentos.

Por exemplo, se você tem uma idade mais avançada, está próximo da aposentadoria, e precisa de maior segurança, o ideal é buscar investimentos em renda fixa. Mesmo com rendimentos mais baixos, esses investimentos garantem o retorno do seu capital com alguma valorização.

É interessante sempre buscar ativos com rentabilidade maior do que a inflação, além de buscar alternativas como corretoras, para fugir dos bancos convencionais.

Os grandes bancos raramente pagam valores atrativos se comparados aos produtos oferecidos por bancos médios e pequenos. Hoje, através das corretoras, é possível acessar esses bancos de forma muito mais simples.

Entretanto, caso você esteja em um momento de ascensão profissional e estabilidade financeira, vale a pena considerar diversificar sua carteira de investimentos. Você deve pensar nos objetivos para os quais está poupando dinheiro, e avaliar quanto tem disponível para cada ativo.

A reserva de emergência deve sempre ficar em uma aplicação conservadora, como CDBs ou títulos do tesouro, pois esse é um patrimônio que estará assegurado independentemente das variações do mercado.

Já no caso da bolsa de valores, a reação costuma ser inversa, e a queda da taxa de juros tende a ser positiva. Porém, é preciso cautela, principalmente para aqueles que não conhecem bem o mercado financeiro. Isso ocorre porque, com a queda da atratividade dos ativos de renda fixa, fundos de investimentos e demais instituições financeiras acabam tomando mais risco, no intuito de buscar maiores retornos. Assim, com uma maior procura pela renda variável, esses ativos acabam se valorizando.

Caso o investidor não tenha conhecimento suficiente ou não se sinta seguro para tomar decisões de compra e vendas de ativos por conta própria, mas ainda assim quer acessar o mercado de renda variável, temos 2 sugestões: fundos multimercados e COEs.

Fundos Multimercados

Os fundos multimercados fazem parte de uma categoria de investimentos que mescla aplicações diversificadas, como ações, renda fixa, cambio, etc. São considerados mais agressivos do que os investimentos em renda fixa, por exemplo. Nesse caso, o investidor estará entregando seus recursos para profissionais capacitados cuidarem da gestão desse patrimônio. Os fundos ficam com um percentual da performance, o que os incentiva a buscar sempre o melhor retorno possível para o investidor.

COEs

A sigla COE significa Certificado de Operações Estruturadas. O COE foi criado em 2013, e assim como os fundos multimercados, mescla aplicações em renda fixa e renda variável. Existem diversos tipos de COEs, alguns inclusive com proteção integral contra perdas. O investidor está adquirindo uma operação já montada e estruturada por uma equipe de análises. Normalmente essa operação é montada com a compra do ativo e derivativos que visam protegê-la.

Um ponto importante a ser observado é o custo de oportunidade. Ele está diretamente ligado às vantagens e desvantagens de cada ativo e à forma como e os ativos se encaixam no perfil de cada investidor e nos objetivos de cada investimento.

Os riscos envolvidos e o potencial de valorização devem ser avaliados em cada investimento. Assim, sempre que decidir por investimentos que envolvem riscos, eu devo verificar anteriormente qual a rentabilidade de um investimento livre de risco, como é o caso da renda fixa. Meu investimento em renda variável, pra valer a pena os riscos aos quais eu irei me submeter, terá que me pagar, pelo menos, algo acima do que eu receberia na renda fixa.

Independentemente do perfil, é imprescindível o acompanhamento de um profissional que direcione seus investimentos de acordo com seus objetivos. Dessa forma, é possível se aproveitar dos juros baixos e manter a rentabilidade de seus investimentos em alta.

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

Leave a Reply