Quando vamos comprar um carro, normalmente, buscamos todas as informações possíveis a respeito do mesmo. Também gastamos horas planejando a viagem de fim de ano. No entanto, na hora de aplicar os recursos que conseguimos poupar a duras penas, não temos o mesmo tipo de zelo.

O brasileiro, de forma geral, possui muito pouco conhecimento sobre finanças, e por isso, ainda mantém seus recursos na poupança (com um rendimento pífio) ou mesmo parado na conta corrente (sendo corroído pela inflação). Ou, quando muito, opta por acatar as recomendações do gerente do banco, sem compará-las com outras oportunidades mais interessantes.

Pensando nisso, preparamos este artigo para tentar mostrar as (muitas) vantagens de você assumir a responsabilidade sobre seus investimentos e algumas dicas de por onde é possível começar. Vamos a elas.

Dicas para assumir a responsabilidade sobre os seus investimentos

Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que o processo exige, necessariamente, a busca por conhecimentos sobre como se aproveitar das melhores oportunidades que o mercado apresenta e compreender se o que lhe está sendo ofertado, condiz com seu perfil de risco e objetivos de vida.

1) Controle as suas finanças

Manter uma planilha elencando suas receitas e despesas te dará uma visão mais clara de quanto sobra ao final do mês. Com uma compreensão mais clara sobre qual o montante disponível para investimentos, fica mais fácil iniciar a busca por ativos financeiros que efetivamente caibam no seu bolso.

2) Fuja dos grandes bancos

Se você deixa alguma reserva na sua conta do banco, certamente já recebeu ligações do seu gerente oferecendo alguma oportunidade de investimento. Entretanto, no Brasil, o sistema financeiro é extremamente concentrado. As maiores instituições bancárias do país, por terem agências espalhadas por todas as regiões, acabam não oferecendo rentabilidades atrativas se comparadas, por exemplo, com as corretoras.

Sendo assim, uma boa iniciativa é abrir conta em algumas corretoras e avaliar os produtos disponíveis em suas plataformas. Lá você encontrará ativos de bancos médios e pequenos que oferecem rentabilidades superiores às dos grandes bancos. Além disso, será possível aplicar em diversos outros ativos como ações, fundos de investimento, e por aí vai.

3) Diversifique seus investimentos

Ao abrir sua conta em uma corretora, um dos primeiros processos solicitados será o preenchimento de um formulário conhecido como Suitability. A partir dele, será possível identificar o seu nível de abertura ao risco, o que será fundamental para a definição dos ativos em que você irá investir.

Procure diversificar entre ativos de renda fixa e renda variável, ainda que você tenha um perfil conservador. Essa diversificação lhe permitirá potencializar o retorno dos seus investimentos. Além disso, ela limita os riscos gerados por eventos específicos.

4) Invista (tempo e dinheiro) em conhecimento

Na internet, há diversos cursos disponíveis sobre como começar a investir o seu dinheiro. Para se sentir mais seguro em relação à qualidade dos conteúdos, procure informações sobre o autor, ou a instituição por trás do mesmo, a fim de evitar furadas! A tecnologia auxiliou a propagação das informações, mas tornou mais difícil filtrar o que tem qualidade. Obviamente, os cursos mais completos são cobrados, mas existem opções em EAD (Ensino à Distância) com valores justos.

Ter conhecimento sobre o mercado financeiro ajuda a evitar erros corriqueiramente cometidos por iniciantes e pode ser o diferencial na sua busca pela tão sonhada independência financeira.

5) Procure ajuda profissional

Ainda que você se capacite, é importante consultar um profissional de mercado na hora da tomada de decisão. As corretoras normalmente oferecem gratuitamente os serviços de assessores de investimento capazes de auxiliá-lo.

Pode parecer contraditório indicar-lhe a busca por capacitação e sugerir o acompanhamento profissional. Entretanto, é de suma importância ter uma visão crítica sobre as oportunidades oferecidas, afinal, é você quem deverá se sentir confortável com as posições montadas com o seu dinheiro (nunca se esqueça disso!).

6 ) Mantenha-se atualizado

O mercado muda constantemente e o que está atrativo hoje, pode não estar mais no mês seguinte. Dessa forma, é preciso se manter atualizado a respeito da dinâmica global. Você não precisa ser um expert em economia ou finanças, mas deve estar atento aos principais indicadores, tais como PIB, inflação, taxa de juros e de câmbio. Atenção também ao comportamento das principais bolsas de valores mundiais. Afinal, o mundo globalizado faz com que alguns eventos tenham repercussão mundial.

7) Estabeleça metas, defina estratégias e seja disciplinado

Sem metas claras, dificilmente você será capaz de obter controle sobre os seus investimentos (e consequentemente, sobre a sua vida financeira). Por isso, defina um valor específico ou uma rentabilidade esperada para o dinheiro que investir. Os objetivos são essenciais para que você tenha condições de auferir se as estratégias definidas estão fazendo sentido e entregando o que é esperado.

Além disso, reavalie constantemente seu portfólio a fim de tomar as devidas ações corretivas. (Mais uma vez, consulte um profissional para auxiliá-lo neste processo).

Defina também perdas máximas toleradas para investimentos que envolvem algum tipo de risco. Não saber em que ponto deve-se assumir o prejuízo de uma operação que deu errado pode lhe custar muito caro.

Por fim, seja disciplinado na execução do seu planejamento. É importante tomar as rédeas na hora de decidir onde seu dinheiro será investido. Ter conhecimento suficiente para discutir as melhores estratégias com um profissional é o caminho mais curto para obter experiência suficiente para tomar decisões por conta própria.

O Brasil pode estar passando por uma transformação estrutural de sua economia. Aqueles que estiverem preparados, se aproveitarão das melhores oportunidades. Por isso, não perca tempo.

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

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