A virada de ano desperta na sociedade a sensação de início e encerramento de ciclos. É comum que, nessas datas, sejam traçadas metas das mais variadas, seja na parte da saúde, em questões profissionais ou na esfera financeira.

Para aqueles que incluíram em suas listas uma maior atenção aos seus investimentos, 2018 oferecerá inúmeras oportunidades e trará consigo riscos relevantes.

O ano de 2017

O ano de 2017 foi de recuperação para a economia brasileira que amargava anos de recessão. Estima-se que o PIB oficial terá crescimento de 1% em relação a 2016. A inflação que corroía o poder de compra do consumidor, desacelerou e fechará o ano abaixo dos 3%. No varejo, as vendas do Natal tiveram seu melhor ano desde 2011, revertendo três quedas consecutivas e crescendo 5,6% em relação a 2016, de acordo com dados do Serasa Experian. O índice Ibovespa renovou máximas históricas, fechando o ano com valorização de 26,8%. Por fim, o COPOM reduziu a taxa SELIC para 7%, menor patamar da série histórica.

Diante desse cenário, é comum que as pessoas busquem o mercado financeiro no intuito de rentabilizar suas aplicações. O conforto de outrora com rentabilidade de 1% em renda fixa ficou pra trás. Fundos de pensão terão de buscar mais risco a fim de atingir suas metas atuariais. Apesar de todo o otimismo, 2018 reservará riscos tanto no âmbito doméstico quanto em questões internacionais.

Perspectiva para 2018

Contrariando a máxima de que no Brasil o ano só começa depois do Carnaval, a bolsa de valores iniciou 2018 animada, rompendo os 79.000 pontos. Por outro lado, o dólar vem se desvalorizando frente o real, se aproximando dos R$3,20. Teremos um 1º trimestre crucial para desenrolar do ano. Já no dia 24/01/2018, o ex-presidente Lula será julgado pelo TRF-4 e, caso condenado, pode não participar das eleições presidenciais. Sendo o atual líder das pesquisas eleitorais, qualquer que seja o resultado do julgamento, teremos uma volatilidade intensa para o mercado.

Algumas semanas após o julgamento de Lula, será colocada em pauta a Reforma da Previdência (19/02/2018). Trata-se de um tema da maior relevância para a economia brasileira, dado que uma eventual não aprovação agravará a situação fiscal brasileira que já se encontra bem fragilizada. Relatório do Bank of America avaliando as 10 maiores economias emergentes, coloca o Brasil entre os três mais frágeis para 2018, ao lado de Turquia e África do Sul. Segundo o relatório, o Brasil tem o pior déficit nominal e a maior relação entre dívida e PIB. Uma possível não aprovação da Reforma da Previdência pode fazer com que as agências de risco rebaixem o rating do Brasil.

EUA

A economia americana deu sinais de recuperação em 2017, mesmo com intempéries climáticas que assolaram parte do território. Dados de produção industrial, criação de postos de trabalho, redução do desemprego, PIB, mostraram que a maior economia do mundo tem retomado tração. O ano terminou com a aprovação da Reforma Tributária que foi muito bem recebida pelo mercado. Tanto o S&P 500 quanto o índice Dow Jones renovaram máximas históricas.

O FED elevou em dezembro as taxas de juros (1,25% a 1,50%) e terá como novo Presidente, Jerome Powell, substituindo Janet Yellen. A retomada da economia dos EUA pode ser benéfica para algumas empresas como a GERDAU (GGBR4), cujos negócios estão voltados para o mercado externo.

No entanto, para os emergentes, de modo geral, pode ocasionar uma fuga de capitais em busca de maior segurança. O investidor brasileiro deverá manter seus olhos abertos às possíveis elevações das taxas de juros nos EUA que poderão vir em maior ou menor intensidade a depender da velocidade da retomada da atividade econômica. As tensões com a Coréia do Norte também devem ficar no radar.

China

O gigante asiático iniciou 2018 mostrando dados fortes no setor de indústria e serviços. O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 6,5% para o PIB chinês em 2018. A manutenção do crescimento na China (ou, ao menos uma estabilidade) seria extremamente importante para as empresas brasileiras, que destinam 30% de suas exportações para o país asiático.  

Europa

O bloco europeu também começou 2018 com dados econômicos bem favoráveis tanto na atividade industrial quanto na retomada da inflação. As bolsas reagiram bem, ainda que com algumas incertezas a vista. A Alemanha, principal economia do bloco, ainda apresenta incertezas no campo político. A Espanha segue com a possibilidade de separação da Catalunha no radar. Por fim, as definições a respeito do BREXIT devem ser decididas ainda no primeiro semestre.

As comodities vêm acompanhando essa aparente euforia mundial e tanto o minério de ferro quanto o petróleo vêm se valorizando desde a virada do ano.

Previsões

Em função desse turbilhão de eventos que serão decididos, em sua maioria, até o fim do 1º trimestre, qualquer previsão que não os leve em consideração seria um mero chute. As questões domésticas podem levar a economia brasileira para direções diametralmente opostas. Sendo assim, a montagem de uma posição para longo prazo antes de uma clareza maior a respeito desses eventos seria bastante arriscado.

No mercado financeiro, há momentos para comprar, momentos para vender, e momentos para ficar de fora. Com a bolsa nas máximas históricas, abrir posições de compra podem ser bastantes desconfortáveis, pois uma leve correção pode tirá-lo do jogo. Dada a solidez dos dados econômicos e da euforia global, vender seria arriscado.

Sendo assim, uma posição em renda fixa com liquidez diária pode ser o melhor refúgio até que o cenário fique menos nebuloso. Para os mais experientes, a volatilidade trará inúmeras oportunidades no Day trade. Para os que estão começando, a sugestão é buscar ajuda especializada que mesas proprietárias e assessores de investimentos podem proporcionar. Definir o capital disponível para investir, o prazo pelo qual poderá abrir mão desse capital e o nível de risco tolerado são primordiais para obter sucesso no mercado financeiro.

Feliz 2018!

Rafael Mendes

About Rafael Mendes

Formado em direito, com MBA em Gestão de Projetos e certificado pelo Sebrae em Análise e Planejamento Financeiro. Atualmente, é operador de dólar, índices e ações, além de responsável pela geração de conteúdo da WM e por auxiliar na área educacional.

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